O revisor de textos não pode falhar

Finalmente, depois de descrever as virtudes, habilidades e tarefas dos revisores, suas falhas e possíveis erros também precisam ser mencionados. Evidentemente, a revisão não serve a sua finalidade pretendida se, como resultado das correções, o texto-alvo for impreciso em relação a seu conteúdo, ou se estiver estilisticamente e gramaticalmente incorreto, se houver desvio do sentido do original ou do pretendido pelo autor e ainda se ele estiver difícil de processar para o destinatário. Isso pode acontecer se os revisores não corrigirem os erros gramaticais, se não fizerem a aferição estilística necessária ou se adicionarem mais erros no que diz respeito ao conteúdo e formatação do texto. A revisão também não serve a sua finalidade se os revisores modificarem o texto em vez de verificá-lo e corrigi-lo como devem, se fazem trabalhos desnecessários e perdem tempo e energia além da conta.
As dissertações de medicina requerem revisores altamente qualificados..
A revisão de textos médicos deve ser processada
com extrema atenção e aferição cuidadosa
de terminologia e textualidade. 
Isso geralmente acontece com os revisores que não sabem bem qual é sua tarefa. Os revisores também podem ser responsabilizados se não seguirem as diretrizes estipuladas para sua atribuição, se perderem o prazo ou se dificultarem a cooperação entre os participantes do processo de produção do texto.
Os revisores estão, naturalmente, longe de serem infalíveis: não estão envolvidos no processo por causa de seu conhecimento superior entre os profissionais de editoração. Eles simplesmente usam outras competências, tomam decisões conscientes e empregam métodos pré-definidos enquanto verificam e aperfeiçoam o texto. Eles precisam de avaliação para seu desenvolvimento profissional, no entanto, na maioria dos casos, eles só recebem feedback dos autores e dos editores se subsistirem problemas com o texto revisado – porque, no processo de redação e editoração, normalmente, ninguém mais verifica o texto depois de terminar de trabalhar nele. Embora, na maioria dos casos, a revisão ocorra sem consulta ao autor, cooperar com ele pode contribuir também para o desenvolvimento profissional do revisor. Fornecer e aceitar feedback com base em argumentos conscientes, bem como indicar normas linguísticas aplicáveis, em vez de sentimentos instintivos serve, para o avanço profissional de ambas as partes. A consulta recíproca ajuda na detecção de erros e previne modificações desnecessárias e fúteis por parte do revisor. É importante ter em mente que autores e revisores não são inimigos empenhados em arrasar o trabalho um do outro. Pelo contrário, eles têm um objetivo comum: entregar um texto perfeito e de alta qualidade para a publicação.
Diante do exposto, pode-se estabelecer que os autores não possuem necessariamente a competência necessária para a revisão, de fato, pesquisas futuras podem demonstrar que os revisores não são necessariamente excelentes autores. O trabalho de autores e revisores é regido por diferentes competências, que podem se sobrepor em alguns casos, dependendo da tarefa dada ao mediador linguístico. A competência de revisão não é habilidade inata, mas um conjunto de habilidades adquiridas, aprendidas e que requerem desenvolvimento contínuo e contíguo. Um dos elementos da competência de revisão é que os revisores interfiram nos textos seguindo princípios específicos, e todos os aspectos de seu trabalho são permeados pela consciência profissional e embasamento linguístico. Os revisores sabem quais parâmetros levar em conta e sabem qual método empregar para esse fim. Eles podem justificar suas decisões, e, como não confiam em seus instintos, podem dar feedback objetivo e construtivo sobre o texto que revisam. Dito isto, eles são capazes de admitir seus próprios erros a fim de garantir que o resultado do processo de revisão tenha excelente qualidade.

Etapas da revisão de textos

Além de saber exatamente qual é o propósito comunicativo do texto revisado, quais são as expectativas do cliente e dos destinatários e, consequentemente, o que levar em consideração durante a revisão, os revisores acham benéfico se puderem seguir etapas baseadas em um método cuidadosamente considerado e consciente. Sugere-se uma ordem ideal de etapas no processo de revisão, que, quando seguidas, garantam que os revisores possam focar em cada parâmetro adequadamente e no momento certo, que não percam nenhum aspecto do texto que precisa ser verificado, e que utilizem todos os elementos de sua competência nas fases apropriadas. É claro que o método sugerido se baseia em uma situação ideal, já que na realidade, pressionado por atribuições urgentes e prazos apertados, os revisores nem sempre têm tempo para incluir todas as etapas do processo. Os revisores profissionais, no entanto, tomam uma decisão consciente em tais cenários também: eles consideram quais etapas podem ser deixadas de lado levando em conta os detalhes da atribuição, o tempo disponível, as características do texto e a qualidade da tradução.
A revisão de uma dissertação é feita em diversas fases sucessivas.
A revisão de uma tese ou dissertação
 passa por fases bem determinadas
para alcançar a máxima qualidade.
No processo de revisão ideal, a etapa inicial de coleta de informações – sobre o propósito comunicativo, a terminologia e o tema do texto-alvo a ser revisado, bem como os textos paralelos relevantes – é seguido pela leitura. Primeiro, o texto original deve ser lido para se entender sua mensagem e estilo global, então, superando texto original, os revisores podem produzir o texto revisado: sim, trata-se de novo produto, objeto de nova intercessão e diversas interferências. Na fase de leitura inicial, os revisores ainda não fazem nenhuma modificação estrutural, eles simplesmente marcam as partes problemáticas, se desejarem, fazendo meras interferências mecânicas. Só em seguida eles iniciam a revisão, transformando o texto original em texto revisado, passo a passo: eles eliminam omissões, fazem adições necessárias e corrigem construções ambíguas ou obscuras. No entanto, eles não tentam encontrar novas soluções para o estilo do texto. Todas as fases sucessivas de leituras implicam correção de erros ortográficos e gramaticais pela releitura de vários estágios. Como mais uma etapa, na fase da revisão, fatos e números devem ser comparados em sua consistência e coerência interna e externa. Dependendo da natureza do texto, os revisores podem precisar verificar e, se necessário, modificar características técnicas também. Essa etapa deve ser realizada no final do processo, pois, durante a edição e formatação, podem ser introduzidos erros, caberá verificar todo o texto, mais uma vez, após a diagramação. A última etapa do processo de revisão poderá ser a verificação ortográfica assistida por computador (corretor de textos eletrônico) para detectar os últimos erros formais, erros de digitação e espaços perdidos resultantes de alterações. Os procedimentos de revisão sugeridos podem ser resumidos da seguinte forma:
  • visão de conjunto: tema, terminologia, textos paralelos;
  • textualidade: propósito comunicativo, futuros usuários, parâmetros necessários de revisão;
  • leitura do texto: mensagem global do texto original; verificar a completude e a legibilidade do conjunto;
  • releituras: releitura de seções menores para aferir lógica, legibilidade e consistência idiomática;
  • releitura completa: releitura completa do texto para legibilidade e coerência;
  • verificação de dados: verificação de datas, dados e números.
  • revisão de provas: ajuste do layout, formatação e organização do texto revisado;
  • verificação eletrônica: corrigir erros finais e erros de digitação usando um programa de correção de textos.

O revisor não erra sozinho

Vamos refletir brevemente sobre o fenômeno das más revisões e como as responsabilidades delas são compartilhadas ao longo de toda a cadeia editorial – e até mesmo pela rede mais ampla, constituída pelo mercado de revisão e editoração em geral, assim como pela pressão dos autores por tempo e por preço. Se é verdade que o revisor está longe de ser o único a ter o mérito ao publicar uma obra, ao dar à luz um texto, ele também não é o único culpado por uma edição ruim e nem mesmo por revisão mal feita. O revisor não está sozinho – especialmente quando ele está errado.
Evidentemente que tudo, até mesmo nada, é melhor que uma revisão ruim. Em todos os casos, a atenção do autor e do leitor concentra-se, com uma análise implacável, mas necessária, nos erros de revisão presentes nos seus textos mal revisados: grande número de omissões, inovações terminológicas, imprecisões, erros estruturais que subsistam leva a concluir que às vezes, o resultado final não tem nada a ver com o original e, muito menos, com o produto desejado. A reflexão sobre quem é o “culpado” é amarga, mas obrigatória: porque uma revisão malfeita, quando é decididamente incorreta, falha, intromissiva, corre o risco de não apenas perverter as intenções do texto original, mas, acima de tudo, “anestesiar” o leitor menos treinado, empurrando-o para o hábito da leitura precipitada, fastidiosa, descuidada e da qual a crítica incidirá sobre o autor.
Revisão de tese e dissertação bem feita é na Keimelion.
O erro de revisão pode ser devido a
vários fatores. O revisor é apenas
um dos sujeitos comprometidos
com a qualidade.
Existem editores que confiam o trabalho a “revisores” sem verificar sua capacidade com antecedência, certamente, para economizar dinheiro; os ditos revisores muitas vezes não são suficientemente competentes, seria necessária supervisão macroscópica – e treinamento acurando – antes de lhes ser confiado um mandato; ainda existem editoras que forçam o revisor a trabalhar em tempos muito escassos e em condições econômicas proibitivas; sobretudo, existe o departamento de marketing que agora conta mais que a equipe editorial na elaboração de um plano de publicações que deveria ser coerente – mas não é, voltado sempre à urgente preparação do próximo best-seller ou livro eletrônico, algumas vezes sem o mínimo de seriedade editorial e respeito para com o público ou os profissionais envolvidos.
A origem do problema seria, portanto, em última análise, uma questão de custos e de maximização de lucros: a publicação de livros é, principalmente em nosso pais, uma operação deficitária e há a tendência de economizar em tudo: portanto, o trabalho de revisores, como (frequentemente) o de tradutores, é precário, mal remunerado e mal reconhecido. No entanto, todas essas habilidades requerem (tanto para serem aprendidas quanto para serem exercidas) tempo, preparação e comprometimento, coisas que devem ser adequadamente recompensadas.

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