Revisão de manuscritos literários

Você terminou seu manuscrito e está se preparando para enviá-lo a editores? Ou optou pela publicação direta de seu trabalho? Você já deu para sua mãe ou um parente que sabe bem o português ler. Mas, é um horror! Ainda há erros em seu texto, e continuará a haver mesmo se você o ler mil vezes!
A qualidade da língua é absolutamente essencial a qualquer tipo de publicação. A ortografia e a gramática impecáveis são a única possibilidade de sucesso literário. Isso é o que lhe confere, antes de tudo, uma imagem profissional e, ainda mais importante, isso é o que vai fazer você ser lido além dos primeiros parágrafos por um editor. Um manuscrito revisado profissionalmente pode fazer a grande diferença quando estiver sobre a mesa do editor. Além disso, pode evitar que seu trabalho passe diretamente do envelope postal... para a cesta de lixo! Editores gostam muito de mandar papel para reciclagem. Se você tiver enviado um arquivo de computador, melhor ainda: se estiver cheio de erros, será deletado sem contaminar o ambiente.
Revisão literária: romances, contos, biografias, novelas.
O texto literário merece o carinho dos
 olhos atentos do revisor profissional.
Não subestime o trabalho de um revisor de textos: ele pode corrigir ou aperfeiçoar a sintaxe, gramática, ortografia, pontuação (sim, sim: qualquer vírgula tem uma razão de ser – e elas não são distribuídas segundo a capacidade respiratória do autor!), tipografia, registros de linguagem, bem como lógica textual: coerência e coesão são assuntos de morte para qualquer texto. O revisor também pode aconselhá-lo sobre a escrita e dar-lhe sugestões para melhorar o texto, porque, cá entre nós, você provavelmente, como autor, deve estar querendo fazer algo de novo! Além disso, o revisor é, muitas vezes, o primeiro leitor objetivo, profissional, que vai comentar seu trabalho. Nós concordamos: mesmo se você é muito próximo de sua mãe, provavelmente, ela nunca vai dizer a você o que está mesmo pensando sobre seu livro, para não machucar você, ou por falta de conhecimento técnico. Já o revisor... prepare-se para sofrer críticas: mas é para tornar a sua história melhor, certeza!
Por outro lado, toda vez que revisamos um manuscrito literário, a revisão inclui uma certa parcela de crítica, especialmente se for solicitada pelo autor. Vamos revisar o manuscrito como se estivéssemos na pele do leitor; portanto, estaremos muito atentos às sensações e emoções que sentirmos durante a revisão (comprimento das frases, ritmo demasiado rápido ou demasiado lento dos fatos, confusão, imprecisão, intensidade dramática, riso, choro, lágrimas, etc.)
Você é um autor novo que está em suas primeiras investidas literárias? Mesmo se você pretende usar os serviços de um revisor profissional – o que é altamente recomendável – primeiro, use a ferramenta de trabalho básica do autor: um software de correção (por exemplo, o do Word). Se você tem paixão por palavras, é essencial que você saiba usar essa ferramenta, que inclui dicionários, guias e revisores eletrônicos.
Finalmente, antes de submeter seu manuscrito para a leitura a qualquer agente literário, revisor, editor:
  1. passe um software de correção em seu arquivo;
  2. releia seu manuscrito em voz alta, possibilitando ouvir as repetições e pequenas falhas que só são detectadas assim;
  3. leia o texto repetidamente – infinitamente; se você escreveu, é que você é amante das palavras. Tome o cuidado de parar em cada uma das palavras que você usou. Pergunte a si mesmo se aquela é a palavra que melhor expressa o seu ponto. É uma boa palavra, eficaz, relevantes, específica?
  4. contrate um revisor profissional.

Como escreveu Stephen King, o mestre do horror americano:
 “leia o seu manuscrito novamente. [...] tome todas as notas que você desejar, mas o foco fica nas tarefas mecânicas, como ortografia correta e identificar inconsistências. Os erros não vão acabar, acredite-me; só Deus conseguiu acertar da primeira vez, e apenas um desligado vai dizer: eu desisto, os revisores têm de ganhar a vida.”

E a nova ortografia, como fica?

A ortografia portuguesa foi ligeiramente modificada por um acordo entre os países lusófonos, a fim de simplificar a linguagem e para padronizar os registros. Essa reforma ortográfica é comumente referida como novo acordo ortográfico – mas já nem é tão recente. O acordo já tem algumas décadas e está em pleno vigor há vários anos. Para muitos, ainda pode ser problema: tem gente que não consegue abandonar o trema, por exemplo, e muitas ideias continuam acentuadas por aí afora.
Ao revisar um documento, levamos em conta a nova ortografia – é a única que está em vigor e não existe alternativa: ou ela é usada, ou o texto contém erros de português. Na verdade, para nós, revisores, a ortografia atual está adotada a tanto tempo que nem cogitamos mais de não a acatar, é fato consumado.

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