Revisão de textos: hermenêutica e eurística

1. Na escola da linguística tradicional, inclusive no que se refere à linguística aplicada à revisão de textos, antes da década de 1970, o estudo da produção escrita era focado no objeto final e não se havia tomado muito em consideração a maneira pela qual o autor produzia um texto escrito.
2. O texto não se restringe ao que se escreve, mas engloba diferentes formas de expressão – imagens, cores – que que se integrarão parte linguística. A revisão de texto é campo de pesquisa em plena revitalização, agora como atividade de volta ao texto, envolvida em todas as tarefas e em todas as fases, da produção à impressão.
Seu texto merece a melhor revisão: Keimelion.
Cada dissertação que revisamos
recebe atenção total.
3. Ao adotarmos a concepção de escrita como trabalho, não podemos isentar o importante papel do leitor qualificado, o revisor que, com o autor, vai subsidiar, em processo de coprodução, o sentido para o texto.
4. No contexto da produção textual atual, define-se a revisão como tudo o que é feito para atingir um objetivo no texto em algum momento, com certa finalidade e implicando algum custo.
5. Os enfoques psicogenéticos sobre a escrita e revisão de textos colocam em destaque os processos de produção, preparação e assimilação do texto como objeto cultural.
6. Estudar aspectos relativos à coerência textual é de grande relevância para a revisão de texto, já que ela assume papel preponderante nos processos de produção e compreensão de textos.
7. O processo de revisão é de ordem superior dentre as tarefas cognitivas (como a leitura ou escrita) com um problema muito significativo para resolver: o revisor deve ler com os olhos do autor e do leitor a que o texto se destina.

8. Entre as interferências mais comuns, pode-se mencionar: a defesa da consecutio temporum (corrigir a relação entre a oração principal verbos e cláusulas dependentes, sejam condicionais ou coordenadas); a criação artifícios linguísticos que evitem as irritantes repetições de vocabulário em geral; atenção para o uso indevido de nomes, advérbios, predicados; a batalha contra a excessiva fragmentação das sentenças, causada pelos mal utilizados sinais de pontuação; o controle do uso de expressões e subordinação e passivação, para garantir a fluência e a comunicabilidade do texto; a identificação exclusiva do sujeito de uma sentença (evitando as ambiguidades); a remoção de efeitos indesejados de anacolutia e anfibologia, que podem confundir o leitor e estragar o prazer estético da obra.
9. O revisor deve acrescentar ao controle formal da revisão a análise completa do texto, para destacar as expressões infelizes ou particularmente “enroladas” e restaurar a correta destinação e a concatenação lógica necessária de proposições que formam período, parágrafo ou capítulo.
10. Na verdade, os autores e revisores não interagiam para obter desenvolvimento da forma e do conteúdo do texto, mas se limitavam a corrigir erros recíprocos sem pensar nas estratégias dialógicas de compor o em regime cooperativo: a habilidade linguística do revisor limitava-se a proporcionar um texto “certo”, sem se preocupar com os aspectos da produção que podem levar ao texto “melhor”.
11. A proposta da interdisciplinaridade é considerar a complementaridade das disciplinas que contribuem para aprofundar o conhecimento sobre a ITA, incluindo linguística, didática e psicologia cognitiva – a conclusão será uma abordagem multidisciplinar necessária.
12. A prática social tem várias orientações – econômica, política, cultural, ideológica e a revisão de texto está presente em todas elas, uma vez que a ordem social que estrutura a se sociedade estabelece a partir de um mercado complexo em que os textos são produzidos, distribuídos e consumidos.

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