Ofício de revisar textos

1. O revisor também é animal cultural, pois a revisão faz a transição da cultura de um (o autor) para outra cultura de outro (o leitor), sendo que todos os Intercessores fazem parte da comunidade – como núcleo social em sentido mais lato – e revisão tem a ver com as pessoas que são parte da comunidade (estrita) e com as pessoas que não pertencem àquela comunidade; os textos servem para se comunicar dentro e fora do núcleo social do autor.
2. Para muitos revisores, à conclusão é que, para a revisão técnica, falta-lhes treinamento completo em um campo especializado: domínio do campo semântico restrito; o conhecimento do revisor de textos é sempre muito menor, sobre o assunto do texto, que o do autor especialista.
Sempre revise, sempre formate com profissional.
Revisão boa tem custo elevado.
Sai caro é não revisar.
3. A formação do profissional do texto ainda se centra nos postulados e manuais linguísticos tradicionais, com a aquisição de competência gramatical, caracterizando erroneamente o processo de revisão como “fiscalização” das inadequações gramaticais subjacentes aos escritos, sem refletir sobre suas implicações na construção e manutenção da textualidade e dos objetivos propostos.
4. Conforme o tipo de revisão em causa, que poderá não ser apenas mecânica (gramática, ortografia e composição), mas também uma ITA propriamente dita (com alterações textuais e contextuais suficientemente profundas para ampliar substancialmente a legibilidade do texto), sendo essa a atividade correspondente ao revisor profissional.
5. Para o trabalho concreto de revisão, não basta que os profissionais dominem a língua como sistema funcional ou nomotético e corrigirem os lapsos gramaticais no texto; é necessário também que eles adotem atitude compreensiva com relação aos valores que orientam as escolhas das formas dadas ao conteúdo textual.

6. Muitas empresas de revisão, contratam estagiários e deixam o serviço por conta deles, o que significa que a pessoa que é contratada para revisar ou editar o texto tem pouca experiência profissional, podendo ter muito menos conhecimento que o autor.
7. São escassos os excertos que podem ser citados pela manutenção da textualidade discursiva e estilística que deve dominar na ITA.
8. Para realizar uma boa ITA, além de consultar ferramentas (dicionários, gramáticas) que sustentem as correções realizadas, o revisor precisa conhecer a diversidade dos gêneros textuais e respeitar as características estilísticas inerentes a cada autor.
9. Para quem se direciona a esse ofício desde a graduação, começar revisando textos de colegas – sim, de graça – pode ser um caminho, depois aceitar trabalhos de alunos e outros cursos e fazer um estágio (claro, ganhado pouco a princípio) são caminhos que podem ser buscados.
10. Os cientistas de cada área só seriam capazes de revisar textos técnicos se tivessem o conhecimento linguístico necessário.
11. Todo mundo já fez “revisão”, seja o autor que reescreve manuscrito, o palestrante que para no meio da frase para encontrar a palavra ou a expressão mais adequada, o diretor da firma que altera os termos do contrato, ou mesmo o secretário que esclarece uma frase que o chefe ditou.
12. O melhor revisor de textos está ciente de que o objetivo da revisão é melhorar a qualidade da redação e, assim, seu papel de revisor é colaborativo.

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