Competências para revisão de textos

Já que ninguém nasce revisor, nossas mãos não são guiadas por algum tipo de conhecimento místico que sentimos nos ossos enquanto checamos textos alheios. As habilidades necessárias para a revisão podem ser adquiridas por revisores praticantes enquanto trabalham, mas essas habilidades também podem ser aprendidas no treinamento prático organizado. Os revisores possuem competências específicas: possuem conhecimentos linguísticos e extralinguísticos necessários para a redação, estão perfeitamente cientes das expectativas da indústria do livro e das ferramentas tecnológicas que auxiliam na revisão, possuem as habilidades psicofisiológicas e cognitivas necessárias essenciais na profissão, bem como estão aptos à transferência  de competências estratégicas. Revisores reparam omissões, excluem adições desnecessárias e corrigem erros que violam as normas e a linguagem do gênero. Mas, além de corrigir erros, eles também se esforçam para melhorar o texto. Eles frequentemente precisam dar sua opinião sobre tradução e avaliar o trabalho do tradutor.
Ninguem pode fazer a autorrevisão de uma dissertação: não funciona.
A autorrevisão, ou seja, a capacidade de
o autor revisar o próprio texto,
é virtualmente inexistente, impraticável.
Além das habilidades descritas acima, os revisores precisam de um conhecimento linguístico completo para serem capazes de detectar e corrigir erros, bem como fornecer explicação aceitável para suas intervenções. Eles estão familiarizados com a literatura que apresenta as normas linguísticas, ou seja, não confiam em conhecimentos vagos adquiridos na escola, e sabem exatamente para onde recorrer quando em dúvida. Eles estão cientes das visões dos linguistas e da atitude em relação aos fenômenos linguísticos. Uma competência linguística bem fundamentada, portanto, ajuda os revisores na tomada de decisões, já que a acusação mais frequente que os revisores têm que enfrentar é fazer excessivas mudanças no texto. Os revisores da profissionais são experientes em distinguir entre soluções boas e ruins, tomar decisões conscientes e podem apoiar suas decisões com argumentos sólidos. Eles também estão prontos para aceitar contra-argumentos apoiados pela literatura e admitir quando eles estão errados, uma vez que eles não confiam em seus instintos subjetivos enquanto trabalham.
Essas habilidades do revisor também podem ser úteis para tradutores quando, após terminar seu trabalho, eles realizam a autorrevisão antes de enviar o texto-alvo. Afirma-se que não existe tal coisa como competência puramente de revisão, e que as competências de revisão e redação sejam categorias sobrepostas. Durante o processo de redação, a utilização das competências individuais depende da tarefa de mediadores cognitivos, ou seja, se os intercessores realizam redação, autorrevisão ou revisão em dado momento, vale a pena fazer a troca entre as competências uma ação consciente, porque essa é a única maneira de mudar de o pensamento microtextual (palavras, frases) para uma abordagem global, macrotextual.

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