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Dicas para melhorar a produção de artigos e teses

Ajudas para escrever tese e artigos científicos.

No mundo acadêmico, em que a quantidade e qualidade de artigos publicados é importante para o destaque profissional, é preciso estar atualizado e capacitado para produção rápida e eficiente de artigos.

Podem ser artigos para a mais conceituada das publicações científicas ou postagens para seu blog, o primeiro tipo requer maturação de ideias e profundidade, o segundo tipo requer constância e brevidade. Mas qualquer texto moderno tem que ser mais ágil e mais dinâmico em sua estrutura, lincado internamente e externamente, atualizadíssimo e dando conta das informações globais sobre o assunto em pauta.

Revisão de texto não tem segredo, tem ciência e consciência do dever.
Leia e escreva no computador, revise na Keimelion.
No sentido de colaborar para essa produção frenética e em moldes bem distintos dos de poucas décadas é que vão as seguintes sugestões:

  1. Sei que você ainda deve ser apaixonado por papel, por livros, artigos impressos e por cópias xerográficas; vá abandonando esses amores, os textos estão cada vez mais em suporte eletrônico e você não poderá imprimir, carregar e rabiscar aquele monte de papel. Com o advento dos tablets, essa tendência recrudesceu e não há como evitar o texto virtual. Qualquer equipamento permite anotações, grifos, iluminações e comentários, tal qual era feito no papel. Desencane e chegue ao século XXI, cuja primeira década já se foi.
  2. Ao escrever, se a ideia já está toda na cabeça, escreva, de existem apenas alguns pontos, escreva, se vai ser feita uma chuva de ideias, escreva, escreva, escreva. Não há nada mais produtivo para a escrita que escrever. Tudo que for escrito poderá ser aproveitado, descartado, modificado ou mesmo evitado conscientemente – depois de visto em forma de texto. É preciso que se criem mecanismos de evitem o bloqueio de produção, o “branco”, escrever é o melhor método.
  3. Cuidado com o conflito de versões! Se você for salvando milhares de arquivos com nomes diferentes, sem lhes indicar a progressão, pode errar e trabalhar num arquivo ultrapassado e depois ter partes das boas ideias e dos trabalhos espalhados por diferentes arquivos, com perda de tempo e de conteúdo. Use algo como: versão a.docx. / versão b.docx. / e por aí afora. Mesmo nome com um indicativo sequenciador.
  4. Não tenha dó, escreva bastante, mas depois corte tudo que não for necessário, tudo que for repetitivo, tudo que for superficial e tudo que já tiver sido dito exaustivamente. Assim suas brilhantes ideias originais ficarão em destaque ao invés de se perderem no amontoado de coisas que os outros já escreveram. Refira-se ao que for de domínio amplo sem citar extensamente, refira-se ao antigo e ao novo sem juízos de valor por antiguidade ou modernidade, refira-se ao clássico de passagem, refira-se pouco a si mesmo!
  5. Reescreva, leia novamente imaginando-se na pessoa de seu leitor. Leia com calma. Guarde sem ler por algum tempo, se for texto que permita isso. Modifique o que for necessário. Encaminhe para um revisor de textos. Submeta a colegas e leigos que se dispuserem a ler. Discuta com o revisor as interferências que ele tiver feito. Se for uma tese ou dissertação, tente se antecipar várias semanas aos prazos: juro que isso será um diferencial positivo a seu favor. O revisor agradecerá a antecipação, o orientador fará uma festa e você se sentirá bem mais feliz se não ficar premido pelo tempo.

Algumas sugestões de revisores

Alguns revisores que trabalham para as editoras costumam recusar certas palavras e construções que até mesmo escritores consagrados ou o autor do “Aurélio” admitem. Por isso, os autores que queiram ver seus textos transformados em livro devem prestar atenção para os usos das seguintes palavras ou expressões (que, de resto, inevitavelmente serão alteradas pelos zelosos revisores - segundo a norma a que se submetem):
A partir de: Os puristas argumentam que essa expressão indica tão somente temporalidade. Para indicar uma precedência lógica, pressupostos, paradigmas etc., recomenda-se usar as fórmulas como “com base em”, “tomando-se por base” etc.
Através de: Segundo os revisores, “através” só pode ser empregado em frases que indicam o “atravessamento” de algo num meio (por exemplo, “a luz veio através da janela”). Quando não se tratar disso, eles recomendam usar “por meio de”, “mediante”, “por” etc. (“expor por meio de exemplos” e não “através de exemplos”).
Devido a: Os revisores substituem sistematicamente  essa expressão por “em virtude de”, “em razão de” etc. Nós não entendemos assim.
Inclusive: Alguns revisores, ao contrário do “Aurélio”, não admitem o uso desse vocábulo como sinônimo de “até mesmo”. Não vemos problema neste emprego.
Artigo ou pronomes indefinidos. Seja econômico em seu emprego, há uma epidemia deles nos textos atuais.
Este(s), esta(s), isto/Esse(s), essa(s), isso: A rigor, “este(s)”, “esta(s)” e “isto” designam aquele elemento que na frase esteja imediatamente antes. Como tais designações, geralmente, têm como referente o que se disse palavras atrás, o correto nesses casos é empregar “esse(s)”, “essa(s)” e “isso”. Mas “este(s)” e “esta(s)” são também empregados para designar aquilo que, fora do texto, refere-se ao próprio texto ou ao local e ao momento em que ele se encontra: “Este texto (que o leitor tem em mãos), foi escrito neste país, neste século”.

Recomendações para boas frases em texto acadêmico

  • Evite as generalizações absolutas (todos, sempre, nunca... ) exceto se elas forem realmente verificáveis. Evite singularidades irrelevantes.
  • Use verbos fortes, que expressem diretamente a ação, perguntar (não “formular questões”), avaliar (não “realizar a avaliação”), evitando as sentenças verbais longas e preferindo outras mais curtas e precisas, substitua “ele construiu um questionamento sobre a problemática do contexto” por “ele questionou os fatos”.
  • Procure frases com palavras e locuções repetidas em segmentos próximos do texto, elas devem ser fundidas caso estejam repetindo uma ideia central ou alguma das expressões deve ser substituída por equivalente.
  • Corte o máximo possível seu texto, tudo que sobrar nele é excesso. Corte adjetivos de juízo pessoal, corte artigos e pronomes desnecessários, corte palavras fora de moda (elas não são “bonitas” só por serem “d’antanho”), texto acadêmico não é antiquário de vernáculo.
  • Deixe os sujeitos agirem e os coloque antes daquilo que disseram ou fizeram, prefira “para Fulano de Tal, a questão não ficou resolvida a contento” e evite “a má solução da questão não permitiu total contentamento segundo Fulano de Tal”.
  • Observe o ritmo das frases, uma sequência delas iniciada do mesmo modo gera sonoridade desagradável. As expressões repetidas costumam poder ser suprimidas, ou alguma palavra introdutória ser utilizada.
  • Use o dicionário! Mas não o empregue apenas para encontrar grafia e significados, use-o para selecionar palavras novas, para enriquecer o texto e explorar na vastidão de vocábulos aquelas que melhor expressaram sua ideia.
  • Cace impiedosamente frases iniciadas por “É”, “Há”, “Assim”, “Deste modo”, e depois suprima esses apêndices que migram da linguagem falada para a escrita, onde são supérfluos.
Sempre há muito mais que tudo que foi dito acima, mas tente fixar aos poucos cada noção necessária à produção de textos. Fixe o fundamental agora: texto sempre precisa de revisão, mesmo o texto que já foi revisado. Revisão de texto para tese ou dissertação requer revisor profissional qualificado e experiente.

Revisão não é opcional, contrate sempre um revisor de confiança.

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