Pular para o conteúdo principal

Regência: o verbo preferir

Segundo dicionários de regência verbal, o verbo preferir significa basicamente dar prioridade ou preferência a; gostar mais de, escolher ou querer antes. É querer antes de alguma outra coisa ou várias coisas!
Mestrando e doutorandos de instituições importantes revisam sempre suas teses.
Muitos autores de tese ou dissertação preferem revisar seus textos conosco.

“Minha mãe disse que prefere ir para o Nordeste de que fazer uma viagem ao Sul.” [Inadequado]
Para a construção do significado, algumas palavras da língua portuguesa usadas por nós exigem o acompanhamento de outros elementos linguísticos. A essa relação de dependência exigida pela norma culta, com o propósito de produzir um significado, chamamos de regência.
Vamos então fazer um apanhado do assunto em questão. Preste atenção, é bem simples!
A regência verbal pode se dar de duas maneiras, conforme descrito a seguir:
  • Direta, quando a relação de dependência é imediata (João ama Maria).
  • Indireta, quando ela é intermediada por outros elementos da língua, como as preposições (João gosta de Maria).
O objeto direto e o objeto indireto fazem parte dos complementos verbais das frases. Não podem se separar deles, pois completam o sentido dos verbos transitivos diretos e indiretos que, quando sozinhos na oração, possuem significado incompleto.
Exemplos de verbos transitivos diretos:
  • “Gustavo comeu o lanche.”
  • “Gabriela esperava a mãe.”
Exemplos de verbos transitivos indiretos:
  • “Eu duvidei da opinião da jornalista.
  • “O menino respondeu à pergunta da professora.
Nas situações em que empregamos a regência indireta, precisamos observar que nem todas as preposições podem desempenhar o difícil papel de ligar o regente ao regido, “a tampa à panela”. E mais, além dessa condição essencial para obter o significado pretendido, o uso de uma ou outra preposição pode até mesmo provocar alterações de significado bastante consideráveis. Suponha que um estrangeiro pouco familiarizado com nossa língua queira dizer “preciso ir para casa”, mas ao invés da preposição para, use equivocadamente a preposição na, formando dessa forma a frase “preciso ir na casa". Seria confuso para quem o ouvisse falar, concorda?
Porém, há ainda verbos a nosso redor que podem, ao mesmo tempo, ser transitivos diretos e transitivos indiretos, tendo um sentido quando não exigem preposição e outro sentido quando a exigem. O verbo preferir, que nos trouxe até o presente texto, é bitransitivo. Isso mesmo, ele é capaz de ser transitivo direto e indireto, mas sempre exigindo a preposição a (preferir alguma coisa a outra):
“Prefiro dormir a estudar regência verbal.”
Na linguagem cotidiana, no entanto, é extremamente comum o uso – incorreto, de acordo com a norma – do verbo preferir para fazer uma espécie de comparação, como “prefiro isto do que aquilo”, como se preferir fosse “gostar mais” de algo. Na verdade, não. Preferir é escolher, pôr alguma coisa antes de outra, preferível à outra. Então vamos reforçar:
O verbo PREFERIR rege dois objetos, sendo o direto aquilo que se escolhe, e o indireto, regido pela preposição a, que é aquilo que se deixa em segundo plano, o que não é preferível. Logo:
“A mãe prefere ir ao Nordeste a fazer uma viagem ao Sul.” [Adequado]
O verbo da frase vista no início do texto é transitivo direto e indireto, possui um objeto direto (complemento sem preposição) e um objeto indireto (complemento com a preposição a).
Exemplos:
  • “Prefiro cinema a teatro.” [Adequado]
  • “Prefiro cinema do que teatro.” [Inadequado]
Objeto direto: cinema.
Objeto indireto: teatro.
  • “Meus alunos preferem o brinquedo ao livro.” [Adequado]
  • “Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro.” [Inadequado]
Objeto direto: o brinquedo.
Objeto indireto: ao livro.
Além de não ser indicado usar o verbo preferir com a locução conjuntiva do que, devemos também evitar o seu uso com o advérbio mais:
  • “Prefiro andar de bicicleta.” [Adequado]
  • “Prefiro mais andar de bicicleta.” [Inadequado]
Concluímos então que alguns verbos são transitivos diretos, não exigindo preposição, outros são transitivos indiretos, exigindo preposição e ainda que há verbos que eventualmente utilizam as duas regras na mesma oração, como o nosso tão frequente preferir.

Postagens mais visitadas deste blog

Normas básicas de digitação

Vale a pena digitar corretamente. A digitação correta é uma prática em desuso. Quase ninguém mais se preocupa com conceitos básicos da datilografia que foram transposto à digitação. Entretanto, formatar uma tese ou dissertação é infinitamente mais complexo que saber digitar num processador de textos. Nada dispensa a boa revisão . Um dos motivos pelos quais  o trabalho do revisor é  indispensável é porque  ninguém mais digita como  se deve. Aqui estão alguns problemas que sempre identificamos nas digitações problemáticas: A lacuna que separa os elementos gráficos (por exemplo, entre duas palavras) deve ser feita por um e apenas um espaço. O recuo do parágrafo, o alinhamento recuado das citações ou das tabelas etc. devem ser feitos por tabulação (ou então pelo recurso de estilo ou modelo, dos programas de edição de texto do computador). Não há espaço antes da pontuação (ponto, ponto-e-vírgula, vírgula, dois pontos). Há um espaço (e apenas um) depois da pontuação (ponto, ponto-e-vírgul

Como escrever o resumo de sua tese ou dissertação

Melhore o resumo de sua tese ou dissertação. O resumo é parte necessária da apresentação final de uma tese , dissertação ou mesmo de um artigo. A versão final do resumo terá de ser escrita depois que você terminar de ler a sua tese para enviar ao revisor do texto. Um resumo prévio, escrito nas diferentes fases do seu trabalho vai ajudar você a ter uma versão curta de sua tese a cabeça. Isso vai conduzir seu pensamento sobre o que é que você está realmente sendo feito, vai ajudá-lo a ver a relevância do que você está trabalhando no momento dentro do quadro maior, e ajudar a manter os vínculos que acabarão por conferir unidade à tese (dissertação, TCC, artigo). Resumo é uma apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento (NBR 6028:2003). O que é um resumo? O resumo é um componente importante da tese. Apresentado no início da tese, é provável que seja a primeira descrição substantiva do trabalho a ser lida por um examinador ou qualquer outro leitor externo. Você deve vê-lo com

Como escrever um texto acadêmico - as melhores dicas!

Aspectos gerais e específicos do texto acadêmico Um texto científico ou acadêmico é um complexo trabalho dissertativo ou narrativo que tem características próprias sobre sua concepção, criação e apresentação.  Bons textos científicos acrescentam conhecimento mesmo quando levantam novas dúvidas, novos problemas ou novas abordagens sobre uma questão, permitindo que leitores encontrem realidade e humanidade em palavras que foram completamente estruturadas para apresentar ou discutir um enfoque específico de um tema. Não importa qual tipo de texto você queira ou necessite escrever – pode ser uma tese de livre-docência, de doutorado, uma dissertação, monografia, um artigo científico, relatório – você precisará de disciplina, energia criativa e de dedicação para a pesquisa, criação, revisão e edição do texto. Apresentamos algumas sugestões para contribuir na redação. Cada tipo de texto científico tem suas características. Familiarize-se com o tipo de texto que pretenda produzir. Antes de c

Quinze dicas para a hora de defender a tese

Defesa de tese ou dissertação: hora H! Depois de ter concluído a tese , é essencial que o aluno se prepare para a apresentação oral do trabalho.  Um excelente texto não garante que a exposição na etapa final seja boa e, se o aluno não apresentar a tese de forma satisfatória, os examinadores podem subestimá-la ou até mesmo duvidar da preparação científica do candidato. O candidato se prepara redigindo o texto. A Kemelion prepara o texto, revisando e formatando. Geralmente a apresentação oral da tese é geralmente é feita por meio de slides em Powerpoint ® (ou software similar) contendo texto, figuras, tabelas, desenhos e fotografias . Bons slides não são tudo. O aluno deve estar preparado e conhecer ponta a ponta o conteúdo, coordenando bem a apresentação conforme explica os slides e se comportando de forma adequada durante essa etapa do trabalho. Abaixo apresentamos algumas dicas, tanto referentes à formatação e estilo da apresentação de slides, como à discussão da tese – aplicáveis a m

Como começar a escrever a tese ou dissertação

Dicas básicas para dar início à redação da tese Aqui vão algumas dicas para escrever teses e dissertações , ideias simples e práticas, para ajudar em problemas de como começar e como organizar, subdividindo a enorme tarefa em partes menos árduas para, em seguida, trabalhar nas partes.  Também vamos explicando, de maneira prática, como sobreviver à provação que a tese representa. Não é para ninguém morrer escrevendo a dissertação ou tese.  Estamos incluindo uma estrutura sugerida e orientação sobre o que deve haver em cada seção. Originalmente escrito para estudantes de pós-graduação ciências duras (física, matemática, engenharia), boa parte dos exemplos específicos fornecidos são tirados dessas disciplinas. No entanto, pode utilizado e apreciado pelos alunos de pós-graduação em várias áreas de Ciências e Humanidades.  Para começar a escrever a tese Quando você vai começar, escrever uma tese ou dissertação parece uma operação longa e difícil. Isto é porque é demorado e difícil mesmo!